quarta-feira, dezembro 22, 2010
Contagem do Tempo
segunda-feira, dezembro 20, 2010
C E R R A D O - A V I D A
C E R R A D O.
I
Flor,
tive que pegar na caneta, desculpa se te borro.
Estranho não te ver
quando os pedaços são seus
Aqui dentro, gozo.
Te levo no meu sonho
onde o galope é meu
e posso voar.
Num tempo que nem conto,
sem ponteiros, só o sol.
Te vejo, sempre
a entrar pela porta do quarto.
Os pássaros só sabem cantar
e as nuvens só sabem mexer.
Assim a cabeça não pára
no lugar errado.
E eu te borro
com tons pastéis.
Vira a pintura
que existe agora dentro de mim, vira!
II
Perto do mato,
não temo os bichos,
os homens da cidade
causam-me calafrios.
Jogo-me nessas paredes
que meu corpo encontra.
Queria você aqui,
sinto seu cheiro ao fim da tarde.
Vou te tocando pelas beiradas
pelas frestas do espaço
confesso tudo em silêncio
e sua ausência me basta
Agora, neste fim de sol
na varanda do seu Claro
vejo a vida passar
um tempo de cada vez
E te quero, como eu te quero
neste tempo sem ponteiros
nesta simplicidade de existir
que só você e a natureza podem me dar.
III
As nuvens vão se juntando
e aos seus pés o barulho das gotas.
Quase que me desespero com o silêncio
mas as notas formam-se no ar.
Neste silêncio dos acordes,
realizo um sonho adolescente
andar sem rumo
nem discórdia.
E lá você está
nua a minha espera
libertando o pudor
que sua vida te dera
E vamos num galope
nos meu sonhos pelo cerrado
tocar as estrelas, assim
conforme o combinado.
IV
E agora parto
para mais um dia de mato
durmo no regaço
da minha bagunça infinita
Acordo nos acordes
ando onde há espaço
sinto a escuridão da noite
é hora de recolher as tralhas
Para amanhã juntar
tudo numa mala
e andar pelo silêncio,
dos pés e das águas
Mais um dia de solidão
mais um dia de espaço
o tempo não veio
só veio o meu verdadeiro amor.
terça-feira, novembro 30, 2010
cold water
Sabe que na verdade, sou estranha. Me pego e apego nas sensibilidades mínimas, nas dedicações espontâneas que você me oferece. E quem me pega é você, te dou tudo, de gatas.
Caio na real e vejo que tudo não passou de uma brincadeira infantil, onde trocam-se bonecas, e assumimos a cara pintada de batom e roupas de rendinha.
Agora caio na real e não quero você nem pintada de ouro, nem de verdade, nem de brincadeira. Vou me machucar, com certeza, e já me doem as costelas só de pensar.
Queria a verdade dos fatos ao invés desse medo que transmite seu olhar fortuito, romântico e assaltado.
"cold water, give me a song. cold water leave me alone with her.
i can’t see the problem, but if you show me the order, i don’t care. i don’t care about you, if you change the truth for fear i can see.i don’t know about this feeling that lives in your dream, i don’t know about you, i don’t know if i need you
but i am so happy because it is true, your existence in my life, make me smile one more time."
segunda-feira, setembro 06, 2010
O U T R A

Sentei na poltrona
terça-feira, julho 20, 2010
Será que é isso mesmo?
quarta-feira, janeiro 07, 2009
TODOS OS AMORES

terça-feira, dezembro 23, 2008
Sorriso do canto da boca

Sou puro desejo
ainda tenho veludos
nas palmas das mãos
E brindo
essa coisa que vale
pra ter a mão
entre as coxas
sexta-feira, dezembro 19, 2008
INTERIOR
I
Deparo-me com meu interior
Cinza-verde
Queria ser amarelo-sangue
Mais textura
Nessa imensa floresta,
com prédios no centro
Habito
Co-habito
Meu sentido de Ecologia
Roberto Piva
Falta a sujeira
dessa cidade
Que fará meu
corpor domir
na rua
Nua
II
Xamanismo. Tarahumara
Poderia ir se quisesse
Burguesa atormentada
tem medo do futuro
III
Do alto do interior
vejo o topo dos prédios
imagem da infância
Morte
Ou será a visão do topo?
Titubeio
Meio
Queri ir pra rua
Entrar nas casas
nos bares
e sentir cheiro
Vento do topo
IV
Penso em ir pra cama
Corpo vegetal
Verde
Cinza
Cansaço
Não ao não
Sim!
Vários
Hoje, quero dormir
Beber vinho
e sofrer
ao ver a vida passar
E você?
segunda-feira, dezembro 08, 2008
verdes
sou quase amarela
Apatia
dia seguinte
irritabilidade
é a palavra
Seco
sou toda seca
boca, peito, mão
orvalho
Galhos por todos os lados
Escuridão
Clareira
Deserto de pensamentos
Sobriedade é faca
Embriaguez é desespero
E a vida, o que é?
Puramente clorofila
Tenho tinta nos olhos
os dedos pintados de vermelho
e a cabeça aberta
uma fenda partiu ao meio
E o coração?
Fica onde?
Palpita, sei
mas como cazuza, não amo ninguém
Então deixa-me
segunda-feira, novembro 24, 2008
PRESENTE DE AMIGO
Desproporcional.
Coração aflito
Insanidade, garganta
Secura
Boca, sexo
Ditadura. Tu
Contra tu.
Líquido!
Preciso de líquido!
Quem ganha?
Determinação
Pausa
Música
Des
Caso
Falha
Seca o coração
De tanto que corre
Democratas de merda!
Falta
Eros
Falta o Eros
Que me assalta
Presente de amigo
Conforto
Canal
Lateja
Abandono
Gosto
Bate mais
Já disse que gosto
Bate porra!
Faz sangrar
até o fim
Num golpe, por favor
Passo final
Precipício
Salta, salta, salta
Quarta-feira
sábado, novembro 15, 2008
DESESPERO
Fome
Não quero comer
Pelos fios magros do meu corpo
adentraste meu desgosto
de saber que não há
como você alguém pra amar
Então pra que?
Escrever poemas?De que me servem?
Essas cabeças de gatos
Frio. 40 graus
limiares
simultâneos
dependência
Verde
vila
Ana
É tão pegajoso
Poesia-criolina
queima
arde
invade
DESESPERO II
Molecular
Era essa a palavra
que escapou
outro dia
Sinto
esse vai vem
que emana
do canto das sílabas
Curva
onda
oscilação
QUEBRA
Infinito
Escuro
úmido
Desespero, terceira vez
Que os cantos
deuses
orixás
celebrem
solo seco
terça-feira, novembro 04, 2008
DES CASO
Visceral encantadora de homens e mulheres,
Vê forte, machuca.
Tritura os ossos,
Saio viva.
Choque cruel.
Corpo frio que
a vida convoca
A nós, mortais
Noites voláteis
Cansadas
Ultimo respiro
Ar voyer que sopra desejo
A noite, só a noite e não o dia,
traz as corujas cantantes
Um passeio. Como? Onde?
Lugar encantado.
Entreguei o meu cantar.
Onça de garras
pudle de madame
Razão covarde
Egoísta
Recalquei consciente
Fui ao castelo
Fui má
Sou boa
Garras de cetim
E tu, minha puta
Que não vive
A visceralidade que vês
Imploras, assalta-me
Não resisto
Me drogo
Manhã.
Luz branca
Ofusca a respiração
Tímida
Decidida
Brinquedo romântico da cidade
Rasgam-se sedas
Tu rasga-me
Estúpida
Mal amada
Conquista barata
Saco preto à noite
Passa o homem
E o caminhão
Fedor
LUZ!
O castelo é invadido
O cocheiro lhe abriga
Humilde e modesta
Princesa se recolhe, feliz
Agarra-me pelos olhos
e rasga a retina
Pronto, estou cega
Agora só os outros sentidos
Somos mortais princesa
Melhor, sou mortal
Tenho medo dos imortais
Como você
Temo não ter forças
Sangue final
Cheque
Sorte de principiante
Te enganas
sou maior
buraco
Compreensão
Cuidado
Mãe de primeira viagem
Cesariana
Escrava
Bruxa
Fui humana
Tu querias a onça
Atiçou com a lingua
Virei
E vi tu gritares
E escorrer suor
Têmperatura mercurio
Sonho
Tarde
Patos
Patas
Coqueiros
de Ibirapuera
Jóias raras
Visceral, de novo
Agora mais, e agora?
Cabeça no enlace
Baile de galas
Princesa no salão
Réles transparentes
Pobre mais limpinha
Cago
E tu lambes
com a línguia portuguesa
Quer mais do sujo
mas o sujo daqui é foda
Tens medo
Recuas
Pedido silêncioso
Bruxa, de novo
Cega,
retinas no chão
Noite.
Sempre noite
Lobisomens
Lua cheia
Uivos
Têmperatura platônica
..............................
Sonho
Manhã
Luz do apocalipse
Now!
Vazio
Envelhecimento
Morte
Inferno e Purgatório
Sua diaba
Cidades
Loucas e surdas
Curvas
Linhas retas
Vida entorta
Não há Sol hoje
Só lá no Japão
Envelhecimento
LUZ!
Corpo drogado
Tranca a escuridão
Compra o desespero
E paga, ajoelha
Levanta
Fecha o caderno
E pinta a capa
quarta-feira, outubro 08, 2008
Cuidado com o Cazuza....ele machuca!!!

Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir
Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dólares
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida
Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada
Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro
Por aí
Se você me encontrar
Nós
Mas não é só isso
O dia também morre e é lindo
Quando o sol dá a alma
Pra noite que vem
Alma vermelha, que eu vi
Vê, são tantas histórias
Que ainda temos que armar
Que ainda temos que amar
Por enquanto cantamos
Somos belos, bêbados cometas
Sempre em bandos de quinze ou de vinte
Tomamos cerveja
E queremos carinho
E sonhamos sozinhos
E olhamos estrelas
Prevendo o futuro
Que não chega
Não é só pensar no fim
Nas profecias
Não, não, não, não
É pensar que um dia
Sob algum luar
Vou te mandar um recado
Um reggae bem gingado
Alucinado de amor
Amassado num guardanapo
Pra rirmos dos loucos
Dos sábios, dos mendigos
E dos palhaços noturnos
O sal da terra
Ainda arde e pulsa
Aqui nesse instante
E olhamos a lua
E babamos nos muros
Cheios de desejos
Um dia na vida
Não existe nada vivo
sábado, outubro 04, 2008
VIDA LÍQUIDA
Hoje, por decorrência dos fatos, quis definir a minha própria VIDA LÍQUIDA. As palavras deslizaram até as pontas dos dedos e brindei o papel com o cinza do carbono.
Sabia....
Por quantos segundos consegues segurar um punhado de água entre as mãos?
Por quanto tempo aguentas um pedaço de água na boca sem a engolir? Sem cuspir?
Quantas horas podes segurar sua bexiga sem urinar-se toda?
Quantas vezes tiveste o orgão genital seco estando cheia de tesão?
Já te cortaste profundamente e o sangue coagulou?
Enumeraria fatos até o fim do lápis. Paro; reformulo.
Fisicamente o líquido é atribuído à determinadas partículas em determinadas formas de aproximação entre si. Poderíamos dizer algo sobre a moleza do material. Partículas entrelaçadas de forma frouxa; não-dura.
VIDA LÍQUIDA é devir-água; escorre.
Já sentiste a vida vazar por entre suas mãos?
Já quiseste engolir a vida? Cuspí-la?
Algum momento a vida lhe foi orgânica, como no processo beber-mijar? Inevitabilidade
Sabes quando a vida lhe é tão intensa que precisas gritar orgasmicamente? Pulsão de morte
Já viste a vida sangrar por dentro? Orgãos corroídos
Acho que não sei lhe falar sobre VIDA LíQUIDA; liquidez. Talvez eu nunca tenha conseguido segurar a vida, como a água entre por entre os dedos, como o xixi por entre as calças, como água na boca, como calcinha molhada num beijo quente, ou como sangue correndo nas veias.
A minha vida é líquida porque escapa por todos os lados. Que prazer vê-la escorrer desta forma, mil vezes cachoeira à líquido engarrafado. Seria apenas no máximo etílica; líquido parado é dengue; corpo doente é morte. Morte, antítese da vida. VIDA LÍQUIDA.
Aceitas beber um copo de vida?
VIDA LíQUIDA
quarta-feira, outubro 01, 2008
Bola de fogo, lavra de vulcão

segunda-feira, setembro 29, 2008
Do alto de uma figueira convido a castanha urbana

Como é bom sentir o gosto do alto do meu cheiro preferido; degusto figos pelos poros.
Gosto tanto da figueira a ponto de desejar ser o fruto maduro e cair; despenco do ápice do tronco, e do chão não passo. Estatelada com as entranhas expostas, sou. Sou figo maduro.
Tantas vezes me desesperei do fato humano; quantas tardes derramei pranto. Aforismos lacrimosos-femininos-masculinos regaram minha raiz e regojizaram no meu regaço.
Tive medo. Folhas ainda verdes congelei. Guardei minha figueira numa redoma de vidro para que só eu pudesse sentir a doce fragância. Medo de roubarem minha primavera, medo de que minhas folhas carnívoras devorem e cuspam estilhaços de gente.
Penso em abrir a porta lacrada de transparência, recuo. Deixo sair gases de odor, recolho.
Será que sou egoísta? Somos todos. Mas será que eu deveria compartilhar a minha natureza e permitir que este cheiro que penetra a alma possa viver ao ar livre?
Dói saber que sendo figueira não posso ser a minha própria jardineira. E como irragarei as pernas submersas em terra?
Calma! Minha racionalidade trancou a porta da redoma com braços-verdes-escuros-cascas-escamas. Tento fazer furos para que seu sopro de vida possa entrar. Tenho medo!
Arrisco!
Dormirei inundada de perfume fora do bloco; poderei sentir o prazer de te encher de perfume e, fazer de ti o fruto saboroso; degustar-te-ei.
Convido-te então a prática da jardinagem, brincar e dormir ao pé da minha figueira, ser também figo.
Se alguma infelicidade infortúnia decorrer desta experiência sensorial, posso apenas lamentar.
Mas convicta afirmo: não me tragam figos em calda, pois não sei respirar o artificial!
terça-feira, setembro 23, 2008
Aflição
"O suicídio é uma solução? Se é, e há quem defenda que é, não me interessa. Só o problema é interessante, nunca a solução; e o ser humano, ou o que dele resta, tem que ser capaz de viver com a insolubilidade da própria vida"
(João César Monteiro, filme Vai e Vem, 2002).
quinta-feira, junho 05, 2008
Medusa assaltada

Estou ansiosa por algo que venho cativando ao longo das horas, das conversas e das posturas. Tenho medo de ser mais fútil do que eu pensava em ser um dia. Tenho medo da contradição que acompanha meus passos, que finca a marca no cimento úmido com a impressão digital dos meus sapatos.
Mais uma vez comprovo que sou pequena, porque tenho medo, porque sou contraditória, porque sou humana. Queria ser heroína, ou como disse outro dia a um amigo, queria ser uma deusa do olímpo, onde é permitido ser humano, e os erros desta estúpida espécie, são compensados pela divindade da filiação de Zeus. Queria ser Dionísio, queria. Me embriagar nos ditirambos, juntamente das minhas companheiras bacantes, e no dia seguinte, poder ser o que que quiser, sem ter que ser humana, sem ser contraditória.
Acho que meu maior medo é esse, o da contradição. Tenho meus ideais sobre a condução da vida, mas talvez os interprete mal quando os pratico. Ou pratico de forma mais coerente do que meus próprios ideias.
Fui roubada. Me assaltaram as minhocas da cabeleira. Dois assaltantes diferentes me roubaram um gosto, um sabor. Num dos casos fiquei assustada por não esperar e relutei. No outro caso, esperava, portanto entreguei meu tesouro ao ladrão, e a adrenalina só é boa quando não se espera. Agora, anseio que o terceiro destes furtantes do amor roube tudo o que eu tenho, que me deixe nua, na rua escura e deserta, mas além de tudo me deixe uma lembrança do gosto de uma saliva que eu já sei o sabor e quero de novo, como eu quero. Outro dia ele me comunicou que pode ser que me assalte, quis até marcar hora e local, mas nunca disse que iria me assltar; talvez queira apenas alguma coisa emprestada.
Agora ando na rua com todas as minhas coisas a vista para quem sabe possa ser roubada novamente e que me leve tudo, tudo.
E ainda há o outro caso, o mais intrigante de todos confesso. Quero fazer as vias do ladrão, quero que todas as minhas minhocas criem braços e mãos múltiplas e assim, roubar tudo o que eu posso. Mas tenho medo, talvez aquele pudorzinho de roubar um livro na livraria e ter medo de ser descoberto, e que mais do que ter que devolver o livro, passar a vergonha de um assaltante de propriedades privadas. Quem sabe o desejo e a vontade de ler estes versos não compensem todos estes riscos infortúnios e que possa pelo menos por uma noite, ser a poesia.
terça-feira, junho 03, 2008
Cotidiano violento na pastelaria

Depois começam a chegar os outros clientes, são trabalhadores da região, são estudantes que moram perto, são as senhoras e senhores já aposentados que vão se encontrar na pastelaria e tomar o pequeno almoço juntos.
O dia vai passando, os salgados vão chegando ao fim, os doces das vitrines passam de apetitosos a velhos, os cafés passam a ser descafeinados e Alice, esta mulher apática não passa nada, nunca passou e não seria agora que aconteceria esta reviravolta.
Volta pra casa abatida, desesperada da vida, para se preparar para mais um dia de pastelaria.
Que inferno de vida!
segunda-feira, março 31, 2008
Solidão cotidiana
Sinto-me mole, levanto-me com disposição de quem acaba de viver um acontecimento feliz. Penteei meus curtos fios cabelo; pinto os olhos; visto a roupa do baile de sábado e saio à rua de óculos de sol em busca de um passeio contente.
Na primeira quadra me alimento de porcarias, na segunda sinto-me a dona do mundo, na terceira chove e volto. Compro o jornal para sentir-me inteligente, sento-me no café para sentir-me social. Alguns minutos depois já estou em casa no sofá.
Vejo um filme triste e choro. E a vida passa num filme como no dia da morte, e já não choro mais pelo romance, mas por entre a minha vida. E passa. Recomponho-me, choro de novo; agora lágrimas secas. Ali permaneço imóvel como estátua de pedra escura, e sinto-me tão só, mas tão só.
Saio de casa, sirvo bebidas às pessoas; vejo-as embriagarem-se com meus olhos sóbrios de uma profissional. Tenho vergonha, por ter um dia ter sido bêbada de futilidades, tenho inveja por náo estar feliz como aquelas pessoas.
Volto pra casa cansada. Tento ainda me divertir em alguma discoteca, sinto-me extraterrestre, desisto.
E cá estou a vomitar, sozinha!
