terça-feira, fevereiro 22, 2011

Desistência de espaços duros


Dentro aqui
espaços
linhas
rotas

Desisiti
de insitir
no gesso
que cala meu peito

Vou soltando
o molde
de cara de corvo
com bico quebrado

Há tantos corações
neste peito grande
há tantos anões
nesta casa verde

Não, só um anão
o meu, igual ao seu um.
gigantes de pés descalços
com lenços nos punhos

Guerreiros sem armadura
com a cara como escudo
pode bater senhora
as marcas não me deixam mais feia

Me deixam marcada
e sou todas esssas
amarras da floresta
que brindo com leite do meu gozo.

Já vou
quem sabe eu volte
se tiver mais quente a sua fala
se tiver calor esse seu corpo gelado

Você me marcou
com pedra de gelo
agora que vou
te digo, que desprezo

Então será assim
você brinca de fingir
mas eu não brinco de disfarçar
quero-te longe

Não me contamine
com essa coisa dura
não me discrimine por
tentar te inventar

A ciência acaba
agora, deixei sua descoberta
pra você
E eu, não te quero mais pensar

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

MANHÃ NO PARQUE
















Aqui tudo está tão iluminado, que mal consigo abrir os olhos. A poucos metros grandes árvores produzem uma sombra fresca, e por ser sombra, lá é mais escuro.

Gosto de estar onde estou. Logo, posso sentir muito calor e me recolher à sombra; posso sentir sede e beber água; posso cansar e ir embora. Posso ser tudo dentro desta vida que a vida me deu. E cada vez cabe mais. O caos ecoa.

Agora, dentro da casa aberta, cheia de vidros por onde entram todos os raios, os do calor e os da sombra, sinto que há muito espaço dentro e pra fora. Estas paredes de concreto delimitam que há espaço, por entre as brechas e a natureza. Há sempre muitos lados para olhar. Vejo todos eles andando por aí, com roupas dos anos 20, me torno sua contemporânea.

Só contemplo. E escrevo. Sinto. Será que é liberdade o que eu sinto? Algo me atravessa bem no peito, respiro mais ar. A luz que está sempre amarela, me faz manga. Amarela, quente, doce, lambuzada. E como gosto de estar aqui sozinha.

Farei agora deste lugar o meu recanto, meu jardim e meu lugar. Porque simplesmente me sinto muito bem aqui, como se já tivesse frequentado esta casa, quando Gregori Warchavchik e sua esposa aqui viviam.

Decido ir embora agora, mas com uma alegria tão grande de existir, que o sol me acompanha até a porta do prédio, para me dizer que estará aqui amanhã, quando eu quiser voltar e desfrutar de sua companhia. Agora só no final de semana, onde os homens agora modernos descansam. Até lá querido jardim!

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Aula de documentário em 2008.

Toco no branco do papel com os dedos cheios de tinta; observo os movimentos da folha com o vento do norte; e caminho. Caminho sem destino por essa leve mistura de cores e sorrisos que me seduzem. Chego em casa, e afinal, minhas pernas tinham destino, mas minha cabeça ainda vagueia nas imagens da memória desse quadro que ainda não pintei.
Convulsiono de Desejo. Será que já teorizavam os sexólogos que à beria dos 24 anos sente-se muito desejo? Ou talvez a minha mais ou menos precoce vida amorosa, que agora encontra-se na mais inédita solidão, anseia, por corpos que ardem e suam e tocam e pingam? E que adormecem no seio do cheiro do sexo.
Não consigo concentrar-me a não ser nesses gritos que bramam por todo meu corpo e que agora conseguem sair silenciosamente pela tinta da caneta. À minha frente há um homem a falar sobre o documentário inglês dos anos 30. Apenas nomes ecoam e os que consigo escrever são do Flaherty e do Grimson, mas não sei mais nada, pois o húmido e quente que sinto entre minhas pernas não me deixa pensar em nada, absolutamente em nada que não seja sair daqui e a correr para casa e me masturbar até cansar.
Pareço louca, sórdida ou adolescente? Talvez eu seja esse conjunto; esse Uno de Heliogábalo Anarquista que se compreende através dos múltiplos. Prefiro ser tudo ao mesmo tempo; quero que me chamem nomes, que me chinguem dos palavrões mais medonhos que existem, que sou tudo isso. Dou-lhes razão; sou puta, louca, safada, sou.
Acho que já não posso mais suportar este homem a falar na minha frente, mas também se vou para casa fico preocupada que o tempo não está a passar e que não vou conseguir dormir porque meu corpo está a arder, sinto-me febril; tenho suor nas mãos e nas axilas.
Tenho a minha volta exatamente 25 pessoas, contando com aquele homem a frente. E agora passa pela minha cabeça, e se eu de repente desse um grito altista? Ia ser engraçado, as pessoas chamariam-me de doida e eu adoro, adoro como gelado de morango com cereais após o jantar.
Estou praticamente a ter um orgasmo sem sequer me mexer, ou apenas abanando as ancas para os lados. Me vem à cabeça a cena do André no "Lavoura Arcaica", àquela primeira cena em que ele masturba-se ao som do comboio. Fecho os olhos e o André está mesmo ao meu lado. Queria unir-me a ele no grito desabado deo desejo, mas as 25 pessoas me inibem. O que chocaria mais essas pessoas; aquele grito altista, o grito desbado após a masturbação, ou o grito de dor ao cortar-me toda; ou ainda o grito de vômito; ou o grito do meu cú a cagar em frente ao ecrã no fundo da sala? Dava uma boa aposta sem dúvida. Como acho que não consigo fazer todas essas coisas ao mesmo tempo, deixo a aposta para outra ocasião.
Acho que vou sair daqui e fumar um cigarro, quem sabe esses devaneios desapareçam, quem sabe...

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Carta ao meu amor


Olá.



Quero viajar para aquele lugar onde a solidão faz sentido, onde estar só e somente só é o puro existir. É como se eu sentisse o vento no rosto, batendo como na infância ao correr por entre as coisas que nem sabemos o que são.


Queria apenas estar em outro lugar, mas um lugar que fosse meu e somente meu, como brincar sozinho com o amigo invisível. Mas por que não torno o aqui também meu e somente meu? Por que desta impossibilidade de me desvincular dessas raízes, deste cordão umbilical? Por que não torno este mundo visível? Tenho sindrome da infância.


E o mais engraçado é que mesmo ao brincar de bonecas na casa que já não lembro bem, você está lá ao meu lado, simplesmente existindo. Questiono se não seria amor mesmo, desses de ficar pra sempre juntos, fazer sexo. Aí já me embanano toda, porque não sei pensar direito nessas coisas, e vou ficando cansada.

Pelo menos estou treinada a cansar a minha cabeça, porque se ela pensa demais, a aflição reina, e o sistema pifa!


Engraçado, é preciso cansar a cabeça pra que possa descansar o corpo. Aí a cabeça fica mais descansada e tudo flui melhor. Começo, bem no começo, a gostar de estar sozinha, me possibilitando que eu aqui esteja nessa hora, inteira e juntando as partes.


Vou criando um mundo meu, de lembranças. O cheiro, a cor do céu, a temperatura, tudo isso já foi vivido, compartilhado, e agora torna-se difícil começar do zero. Embora eu pense como num filme, minha vida não o é, e vou me enterrando no meio das minhas canções, que entram para o esquecimento.


Chego a pensar que nunca mais te verei, ou como nas histórias de amor, nos encontraremos velhinhos e com a vitalidade ainda para se redescobrir.



No fim das contas, acho que estou bem, embora esteja ignorando os problemas. Não sei se é uma fuga ou uma maneira mais razoável de coexistir com eles.

No mais, sinto muito a sua falta, da sua fala correta, das nossas intermináveis buscas pelos conceitos até nos cansarmos e irmos dormir de olho aberto.


Olha meu amor

Olha lá fora

Veja quantos átomos se mexem


Olha pra dentro agora

E vê quantas vidas se manifestam

Dentro desta aflição toda, que sei te perturbar


Mas pensa no que é preciso

Amar por dentro e para fora

És tão amado, por favor não ignora


Estou tentando entender

O que faz mesmo valer?

Pra que viver??


Encontro pelo menos uma razão:

você.

E assim, peço todos os dias aos deuses


Que possas estar bem

para mais uma vez

poder tocar


Neste coração que só sabe amar

Você, meu amado

Então fica, fica, fica comigo!


Sempre sua!
Com amor

H.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

C H A P A D A


C H A P A D A II

Aqui são todos muito bonitos,

os homens, os bichos, as plantas.

Aqui, todos vivem numa melodia sem conflitos,

os homens, os bichos, as plantas.

Aqui, todos. Aqui vivem.

Nunca foram tão simpáticos comigo,

nunca fui tão simpática com eles.

Nem com homens, nem com plantas, nem com bichos.

E como voltar pra esse lugar?

Onde não se tem horizonte

não se tem encontro,

só conflito.

E eu, aqui.

Não tenho nada, tenho tudo.

A cabeça balança no fim do dia,

mas eu não andei de barco.

Apenas subi montanhas!


C H A P A DA III


A busca

da felicidade é como apanhar

mosquitos

pela noite

Zumbem pelo ouvido,

tapas ao ar.

E quando pega!

Espirra sangue.

E passa

de volta

ao tranqüilo

sono da vida.

E a arte vem

nos espaços

dos tapas

buscar o vazio

E eu vou dormir

como se estivesse

caçando

mosquitos pela noite toda.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Contagem do Tempo


Perdi a contagem do tempo,
pra chorar agora
fico olhando o sol
partir, as horas

Ainda bem que não tenho pratos
que não como gatos
e que sou livre
dentro desta prisão

Queria mesmo era partir
o espaço entre o sim e o não
você em nada
nado em vão

Queria a minha cama
onde choro
lágrimas sempre secas
e molho só o sonho

Arrancar seus cabelos
pendurar na porta da entrada,
como coisa de bichos sabe.
deixar-te-ei ali, intocável, embaussa-amável.

Assim não fugirias
e eu sairia
em busca
de comida









segunda-feira, dezembro 20, 2010

C E R R A D O - A V I D A


C E R R A D O.

I

Flor,

tive que pegar na caneta, desculpa se te borro.

Estranho não te ver

quando os pedaços são seus

Aqui dentro, gozo.

Te levo no meu sonho

onde o galope é meu

e posso voar.

Num tempo que nem conto,

sem ponteiros, só o sol.

Te vejo, sempre

a entrar pela porta do quarto.

Os pássaros só sabem cantar

e as nuvens só sabem mexer.

Assim a cabeça não pára

no lugar errado.

E eu te borro

com tons pastéis.

Vira a pintura

que existe agora dentro de mim, vira!

II

Perto do mato,

não temo os bichos,

os homens da cidade

causam-me calafrios.

Jogo-me nessas paredes

que meu corpo encontra.

Queria você aqui,

sinto seu cheiro ao fim da tarde.

Vou te tocando pelas beiradas

pelas frestas do espaço

confesso tudo em silêncio

e sua ausência me basta

Agora, neste fim de sol

na varanda do seu Claro

vejo a vida passar

um tempo de cada vez

E te quero, como eu te quero

neste tempo sem ponteiros

nesta simplicidade de existir

que só você e a natureza podem me dar.


III

As nuvens vão se juntando

e aos seus pés o barulho das gotas.

Quase que me desespero com o silêncio

mas as notas formam-se no ar.

Neste silêncio dos acordes,

realizo um sonho adolescente

andar sem rumo

nem discórdia.

E lá você está

nua a minha espera

libertando o pudor

que sua vida te dera

E vamos num galope

nos meu sonhos pelo cerrado

tocar as estrelas, assim

conforme o combinado.

IV

E agora parto

para mais um dia de mato

durmo no regaço

da minha bagunça infinita

Acordo nos acordes

ando onde há espaço

sinto a escuridão da noite

é hora de recolher as tralhas

Para amanhã juntar

tudo numa mala

e andar pelo silêncio,

dos pés e das águas

Mais um dia de solidão

mais um dia de espaço

o tempo não veio

só veio o meu verdadeiro amor.

terça-feira, novembro 30, 2010

cold water


Sabe que na verdade, sou estranha. Me pego e apego nas sensibilidades mínimas, nas dedicações espontâneas que você me oferece. E quem me pega é você, te dou tudo, de gatas.

Caio na real e vejo que tudo não passou de uma brincadeira infantil, onde trocam-se bonecas, e assumimos a cara pintada de batom e roupas de rendinha.

Agora caio na real e não quero você nem pintada de ouro, nem de verdade, nem de brincadeira. Vou me machucar, com certeza, e já me doem as costelas só de pensar.

Queria a verdade dos fatos ao invés desse medo que transmite seu olhar fortuito, romântico e assaltado.

"cold water, give me a song. cold water leave me alone with her.

i can’t see the problem, but if you show me the order, i don’t care. i don’t care about you, if you change the truth for fear i can see.
i don’t know about this feeling that lives in your dream, i don’t know about you, i don’t know if i need you
but i am so happy because it is true, your existence in my life, make me smile one more time."


segunda-feira, setembro 06, 2010

O U T R A


Sentei na poltrona
peguei um copo d'água
e senti descer pelas veias
o líquido, existo.

Existo longe
perto, dentro
aqui.
E você já não está

Agora outra parte
outra história,
nova primavera
e as flores já vão surgir.

Até que cansadas
do Sol
vão caindo, uma a uma
até a nudez.

E o inverno de novo virá
o frio das almas
o vazio das ruas
e a cabeça congelada

E o ciclo torna-se ciclo
e contesto
diante das rugas do tempo
que sou outra.

terça-feira, julho 20, 2010

Será que é isso mesmo?

Será que é isso mesmo? Não entendi.
Surge de repente um medo do agora, porque depois dele vem o depois e queria ser bruxa pra poder prever as mazelas da vida, antecipar o desespero e a derrocada. Infelizmente sou princesa, vou vivendo no castelo construído pelos artesãos da minha força, do meu desejo. Não é isso? Tudo é desejo? Se ele virar a esquina e soprar o outro vento, come facciamo? Muda-se tudo novamente para em direção aos quereres?

É isso que a vida traz? É esse o preço? Arcar com todos os furacões que ainda estão por vir? É esse o medo que as pessoas escondem através da caixa preta e se deleitam com mocinho alheio da vez?

Será que é isso mesmo? Será que entendi?

Entender qualquer coisa. Posso entender qualquer coisa, o que eu quiser das coisas. E tudo vira coisa, deixa de ter nome, vamos entendendo e vivendo as coisas da vida. Entediante. Entendido.

Será que é isso mesmo? Você entendeu?

Se entendeu me explica então, e nem me venha com coisas, porque eu quero conceitos, quero matéria, quero palavras que escorrem pelo meu entendimento. Quero aplicação e resultados matemáticos.

Será que é isso mesmo? Você não sabe explicar?

Que bonito, me fez perder horas aqui pra me dizer que entendemos o que aconteceu, que está tentando entender o porquê dessas coisas todas e não me diz o que fazer. Obrigada por me fazer perder dentro dessa caixa vermelha e descobrir que a sua profundidade é infinita, que entre a pele do abdômen e a pele das costas não se vê o limite de tudo o que há ali, e que pior que isso é não saber o que então sai e vai compor outro vão profundo.

Tá ai, é isso mesmo. Tente, pois uma hora conseguirás, e cuidado, porque o caminho só o seu estômago e o seu ventre podem saber.!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

TODOS OS AMORES


Uma noite sem dormir

espera

uma tarde sem pensar

deriva




Não como unhas

tive que morder os lábios

não amo

sou covarde




o calor que emana

ah... esse seu sorriso

essa sua fala menina

cova de largura




Chegas

me entrego

vagarosamente

até o porvir




Estas a vir. vem

e tu vais

vira poeira

no cheiro das rosas




e penso nos amores

todos que tive

que tenho

caótica


Embriago-me no resto

das uvas chilenas

e a cabeça cai

no sono profundo

quero vários

corpos

um de cada vez

agora, consumo todos




E você?

Aí a dizer coisas

bonitas, prosas

C O V A R D E




Se me prendesse

entre suas pernas

e a parede

seria tua




Não vens

Porque sim, há tolices.


terça-feira, dezembro 23, 2008

Sorriso do canto da boca


É
volto a sorrir
de leve
assim com o canto da boca
Sou capaz sim
Ainda pulsa
a vontade
pra merda com ideologias

Sou puro desejo

ainda tenho veludos

nas palmas das mãos

ainda sei fazer carinho

Tiro a amarra
da cara
Sorrio
Beijo

E brindo

essa coisa que vale

pra ter a mão

entre as coxas


Das meninas da cidade
dos meninos delicados
E das minhas
das minhas partes todas!







sexta-feira, dezembro 19, 2008

INTERIOR

INTERIOR

I
Deparo-me com meu interior
Cinza-verde
Queria ser amarelo-sangue
Mais textura

Nessa imensa floresta,
com prédios no centro
Habito
Co-habito

Meu sentido de Ecologia
Roberto Piva
Falta a sujeira
dessa cidade

Que fará meu
corpor domir
na rua
Nua

II
Xamanismo. Tarahumara
Poderia ir se quisesse
Burguesa atormentada
tem medo do futuro

III
Do alto do interior
vejo o topo dos prédios
imagem da infância
Morte

Ou será a visão do topo?
Titubeio
Meio
Queri ir pra rua

Entrar nas casas
nos bares
e sentir cheiro
Vento do topo

IV
Penso em ir pra cama
Corpo vegetal
Verde
Cinza

Cansaço
Não ao não
Sim!
Vários

Hoje, quero dormir
Beber vinho
e sofrer
ao ver a vida passar

E você?

segunda-feira, dezembro 08, 2008

VERDESCURO

Floresta
Invasão de tons
verdes
sou quase amarela


Apatia
dia seguinte
irritabilidade
é a palavra


Seco
sou toda seca
boca, peito, mão
orvalho


Galhos por todos os lados
Escuridão
Clareira
Deserto de pensamentos


Sobriedade é faca
Embriaguez é desespero
E a vida, o que é?
Puramente clorofila


Tenho tinta nos olhos
os dedos pintados de vermelho
e a cabeça aberta
uma fenda partiu ao meio



E o coração?
Fica onde?
Palpita, sei
mas como cazuza, não amo ninguém



Então deixa-me










segunda-feira, novembro 24, 2008

PRESENTE DE AMIGO

Repetição.
Desproporcional.
Coração aflito
Insanidade, garganta

Secura
Boca, sexo
Ditadura. Tu
Contra tu.

Líquido!
Preciso de líquido!
Quem ganha?
Determinação

Pausa
Música
Des
Caso

Falha
Seca o coração
De tanto que corre
Democratas de merda!



Falta
Eros
Falta o Eros
Que me assalta

Presente de amigo
Conforto
Canal
Lateja

Abandono
Gosto
Bate mais
Já disse que gosto

Bate porra!
Faz sangrar
até o fim
Num golpe, por favor

Passo final
Precipício
Salta, salta, salta
Quarta-feira

sábado, novembro 15, 2008

DESESPERO

DESESPERO I

Fome
Não quero comer
Pelos fios magros do meu corpo
adentraste meu desgosto
de saber que não há
como você alguém pra amar

Então pra que?
Escrever poemas?De que me servem?
Essas cabeças de gatos

Frio. 40 graus
limiares
simultâneos
dependência

Verde
vila
Ana
É tão pegajoso

Poesia-criolina
queima
arde
invade

DESESPERO II

Molecular
Era essa a palavra
que escapou
outro dia

Sinto
esse vai vem
que emana
do canto das sílabas

Curva
onda
oscilação
QUEBRA

Infinito
Escuro
úmido
Desespero, terceira vez

Que os cantos
deuses
orixás
celebrem
solo seco

terça-feira, novembro 04, 2008

DES CASO

DES CASO

Visceral encantadora de homens e mulheres,
Vê forte, machuca.
Tritura os ossos,
Saio viva.
Choque cruel.
Corpo frio que
a vida convoca
A nós, mortais

Noites voláteis
Cansadas
Ultimo respiro
Ar voyer que sopra desejo
A noite, só a noite e não o dia,
traz as corujas cantantes
Um passeio. Como? Onde?
Lugar encantado.

Entreguei o meu cantar.
Onça de garras
pudle de madame
Razão covarde
Egoísta
Recalquei consciente
Fui ao castelo
Fui má

Sou boa
Garras de cetim
E tu, minha puta
Que não vive
A visceralidade que vês
Imploras, assalta-me
Não resisto
Me drogo

Manhã.
Luz branca
Ofusca a respiração
Tímida
Decidida
Brinquedo romântico da cidade
Rasgam-se sedas
Tu rasga-me

Estúpida
Mal amada
Conquista barata
Saco preto à noite
Passa o homem
E o caminhão
Fedor
LUZ!

O castelo é invadido
O cocheiro lhe abriga
Humilde e modesta
Princesa se recolhe, feliz
Agarra-me pelos olhos
e rasga a retina
Pronto, estou cega
Agora só os outros sentidos

Somos mortais princesa
Melhor, sou mortal
Tenho medo dos imortais
Como você
Temo não ter forças
Sangue final
Cheque
Sorte de principiante

Te enganas
sou maior
buraco
Compreensão
Cuidado
Mãe de primeira viagem
Cesariana
Escrava
Bruxa

Fui humana
Tu querias a onça
Atiçou com a lingua
Virei
E vi tu gritares
E escorrer suor
Têmperatura mercurio
Sonho


Tarde
Patos
Patas
Coqueiros
de Ibirapuera
Jóias raras
Visceral, de novo
Agora mais, e agora?

Cabeça no enlace
Baile de galas
Princesa no salão
Réles transparentes
Pobre mais limpinha
Cago
E tu lambes
com a línguia portuguesa

Quer mais do sujo
mas o sujo daqui é foda
Tens medo
Recuas
Pedido silêncioso
Bruxa, de novo
Cega,
retinas no chão

Noite.
Sempre noite
Lobisomens
Lua cheia
Uivos
Têmperatura platônica
..............................
Sonho


Manhã
Luz do apocalipse
Now!
Vazio
Envelhecimento
Morte
Inferno e Purgatório
Sua diaba

Cidades
Loucas e surdas
Curvas
Linhas retas
Vida entorta
Não há Sol hoje
Só lá no Japão
Envelhecimento

LUZ!
Corpo drogado
Tranca a escuridão
Compra o desespero
E paga, ajoelha
Levanta
Fecha o caderno
E pinta a capa

quarta-feira, outubro 08, 2008

Cuidado com o Cazuza....ele machuca!!!




Ritual
Cazuza e Roberto Frejat

Pra que sonhar
A vida é tão desconhecida e mágica
Que dorme às vezes do teu lado
Calada
Calada

Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica
Tantas histórias de um grande amor perdido
Terras perdidas, precipícios
Faz sacrifícios, imola mil virgens
Uma por uma, milhares de dias
Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Que o amor na prática é sempre ao contrário

Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba


Não amo ninguém
Cazuza, Roberto Frejat, Ezequiel Neves

Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir

Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dólares
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida

Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada

Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro

Por aí
Cazuza e Roberto Frejat
Se você me encontrar assim
Meio distante
Torcendo cacho
Roendo a mão
É que eu tô pensando
Num lugar melhor
Ou eu tô amando
E isso é bem pior, é

Se você me encontrar
Rodando pela casa
Fumando filtro
Roendo a mão
É que eu não tô sonhando
Eu tenho um plano
Que eu não sei achar
Ou eu tô ligado
E o papel, e o papel
E o papel pra acabar
Se você me encontrar
Num bar, desatinado
Falando alto coisas cruéis
É que eu tô querendo um cantinho ali
Ou então descolando
Alguém pra ir dormir
Mas se eu tiver nos olhos
Uma luz bonita
Fica comigo
E me faz feliz
É que eu tô sozinho
Há tanto tempo
Que eu me esqueci
O que é verdade
E o que é mentira em volta de mim

Nós
Cazuza, Roberto Frejat

Mas não é só isso
O dia também morre e é lindo
Quando o sol dá a alma
Pra noite que vem
Alma vermelha, que eu vi
Vê, são tantas histórias
Que ainda temos que armar
Que ainda temos que amar

Por enquanto cantamos
Somos belos, bêbados cometas
Sempre em bandos de quinze ou de vinte
Tomamos cerveja
E queremos carinho
E sonhamos sozinhos
E olhamos estrelas
Prevendo o futuro
Que não chega

Não é só pensar no fim
Nas profecias
Não, não, não, não
É pensar que um dia
Sob algum luar
Vou te mandar um recado
Um reggae bem gingado
Alucinado de amor
Amassado num guardanapo

Pra rirmos dos loucos
Dos sábios, dos mendigos
E dos palhaços noturnos
O sal da terra
Ainda arde e pulsa
Aqui nesse instante
E olhamos a lua
E babamos nos muros
Cheios de desejos

Um dia na vida
Cazuza, Maurício Barros

Não existe nada vivo
Dentro desse quarto
Todo dia eu pego o medo
Meço, mato e guardo
Num cansaço calmo de sobreviver
Cantar pra subir
Descer e dar uma banda
Um dia na vida vale
Você vem
Você tem
Um dia na vida vale pra comemorar
O nosso encontro em nenhum lugar
Pra que escrever poesias num papel higiênico
Depois se limpar com as tristezas de sempre
Um dia na vida
Outro fósforo, outro sol
"A vida é um piscar de olhos
E o amor, um alô e um tchau"
Um dia na vida passa de carona na esquina
Um dia na vida vale qualquer tentativa

sábado, outubro 04, 2008

VIDA LÍQUIDA

Quando ouvi pela primeira vez Hilda escrever VIDA LÍQUIDA, sabia. Nunca pensei em definir este conceito, mas sabia; senti essa vulnerabilidade da VIDA LÍQUIDA; senti com os olhos fechados HIlda escorrer em mim. Alcançou-me como nun enlace, logo escapou e escorri, sorri.



Hoje, por decorrência dos fatos, quis definir a minha própria VIDA LÍQUIDA. As palavras deslizaram até as pontas dos dedos e brindei o papel com o cinza do carbono.



Sabia....



Por quantos segundos consegues segurar um punhado de água entre as mãos?

Por quanto tempo aguentas um pedaço de água na boca sem a engolir? Sem cuspir?

Quantas horas podes segurar sua bexiga sem urinar-se toda?

Quantas vezes tiveste o orgão genital seco estando cheia de tesão?

Já te cortaste profundamente e o sangue coagulou?



Enumeraria fatos até o fim do lápis. Paro; reformulo.



Fisicamente o líquido é atribuído à determinadas partículas em determinadas formas de aproximação entre si. Poderíamos dizer algo sobre a moleza do material. Partículas entrelaçadas de forma frouxa; não-dura.



VIDA LÍQUIDA é devir-água; escorre.



Já sentiste a vida vazar por entre suas mãos?

Já quiseste engolir a vida? Cuspí-la?

Algum momento a vida lhe foi orgânica, como no processo beber-mijar? Inevitabilidade

Sabes quando a vida lhe é tão intensa que precisas gritar orgasmicamente? Pulsão de morte

Já viste a vida sangrar por dentro? Orgãos corroídos



Acho que não sei lhe falar sobre VIDA LíQUIDA; liquidez. Talvez eu nunca tenha conseguido segurar a vida, como a água entre por entre os dedos, como o xixi por entre as calças, como água na boca, como calcinha molhada num beijo quente, ou como sangue correndo nas veias.



A minha vida é líquida porque escapa por todos os lados. Que prazer vê-la escorrer desta forma, mil vezes cachoeira à líquido engarrafado. Seria apenas no máximo etílica; líquido parado é dengue; corpo doente é morte. Morte, antítese da vida. VIDA LÍQUIDA.



Aceitas beber um copo de vida?



VIDA LíQUIDA

quarta-feira, outubro 01, 2008

Bola de fogo, lavra de vulcão



Sou pequena perto deste desejo
que tu soltas pelas ventosas,
minha pequena cavalo-marinho de fogo.

Sou enorme pela febre
que consome meu desejo
Gasta, gasta; e não acaba

Os deuses testemunham
esse calor que brota dos nossos olhos
Transformamos um dia frio em verão

Pegamos fogo, somos incendiárias
Chegamos a ser piromaníacas
Labaredas de prazer

Escorre do ventre lavra de vulcão
que em erupção palpita
sobre nossos sexos

Aboliremos os bombeiros
e águas que caem do céu
Mas deixemos o pássaro cantar

Da minha ou da sua janela
Será testemunha
Ocular

E agora,
que o vento se encarregue
Conduzirá o nosso fogo

Que a brasa não se apague
E difícil agora
é dormir sem me queimar