quinta-feira, outubro 11, 2012

I N O M I N Á V E L

Inominável, por enquanto
uma só palavra
tantos movimentos
irreconhecíveis, novatos

Temerário?
Mas por que?
Apalpável, só as coxas
Pensar no corpo todo
os sorrisos, as falas

Intensidade pura
atravessa a história
corpo disponível
vida
trans borda

E o inominável transgride
o jogo das palavras
etimologia
idéias, vagas

Experimentar então
cada sílaba
geografia venosa
sonhar águas

Que escorrem
gotículas em cada tempo
nuvens se formam
de sentimentos condensados

quarta-feira, outubro 03, 2012

I N O D O R

É quase como dizer que sofrer é bom
ver prazer na dor das lagrimas
sentir bem o vento do pó
solidão extrema, perder-se em si

Mas é um perder-se
muito perdido
muito distante
nas sombras da noite do agora

É onde me encontro
bordas
deixadas pra logo
perdidas no hiato

Sou tantas, vetores, vetores
Pedaços de instantes
trechos de memórias
viceras de aflições

Tanta aflição
nem nome sei dar
ou lugar de partida
tudo transição
tudo pétala
tudo cheiro
tudo inodor


quarta-feira, setembro 26, 2012

mato

mato grande
mato grosso
espessura do tamanho do mundo

a raiz toma proporções descomunais
a cabeça incha de musicalidades
o temperamento segue a sede

Não se explica viceralidades
condena-se, condenamos todos
O que surge mesmo?

Alguma coisa vem
e vem forte
e vem por toda a superfície 
e não para de surgir

sim, sou do tamanho do que vejo
sou pequena perto deste tamanho
todo de vida
todo de tudo



domingo, outubro 23, 2011

RAIO DE SOL

Onda de multidões
palpites de mega sena
é só pra sonhar
com alguma coisa estranha

Mas afinal
o que é bom?
Em que tempo
se dão as coisas?

No ventre de um sentimento
na minha face
acuado entre as pernas
por de baixo do travesseiro

As coisas se dão a todo momento
e no meu peito, curvado
nasce uma forma
pra onde se vai?
Em que casa viveremos?

Estações partidas
em trens fora dos trilhos
vagões de ilusão
aqui, há um corpo

Que se fecha
como a vida das plantas
e desabrocha
pra qualquer raio de sol.

segunda-feira, outubro 17, 2011

CASA DAS HORAS

Afinal, não houve tempo
no final, eram só as horas
pedindo passagem
pro coração-barreira

Ela não sabia,
que o pedido,
eram os pedaços
os retalhos

E constroem-se casas assim?
De resto de horas?
Por falta de atenção
a varanda ficou torta

E a água acumulou-se
do lado esquerdo do coração
enchente de ponteiros
perdidos, marcando o passo

Talvez a casa móvel
de novo seja o porto
fazer o próprio tempo
inteiro, num pedaço só

Assim não falta nada
covarde, de novo
mal amada

Amor, só distraído
na praia
por poesia
esquecido

Não vai haver casa
enquanto não tivermos tempo
pra saber que o outro lado
é só mais um dos nossos inventos.

segunda-feira, outubro 03, 2011

S A L T O

De novo; novo?
Minhocas no tampo
cobras em curvas
corpo paralisado

Cortes fechados
ainda jorram sangue
amedrontados
corações saltam

Saltos para?
Saltos de?
Vai ou foge?
Pavor!

Calça de pijama
azul-claro-aflanelado
calor por favor
mudança de registros

Troca, novo
criação, radioatividade
tamanha força
da mudança de particulas

Então senta
olha para
aceita a forma diferente
você é outra

Salta, salta, salta
do barco na tormenta
mas cai sem quebrar nada
num pouso macio.

sexta-feira, setembro 02, 2011

P O R O S I D A D E

Pesadas, moléculas
átomos que ocupam
todos os poros
da velocidade do pensamento

Química. Quebra de substâncias
espada cortante
do samurai-cavaleiro,
ou era arco? Sim! O arqueiro

Fatia-se escamas
os acontecimentos do agora
a cada hora
o tempo amansa

E a alegria avança

E a dança,
nova criança

De perto desapareço
e tranquilo o corpo dorme
já não se volta,
nem por qualquer homem.

quinta-feira, agosto 04, 2011

VONTADE DE IR PRA CHINA

Meu peito aperta
minhas mãos tremem
e já nem sei porque
inventei algum terremoto

Vontade de que?
morrer de novo?
solidão por favor me abraça
e dorme comigo sem pirraça

No espelho já não reconheço
nenhuma parte do meu corpo
nenhum toque do meu esforço
que há tempos lanço ao mar

E o Tsunami arrasa
minhas pilastras
minhas vontade de ser melhor
ecos de medo me assolam

Partir? Pra onde?
Talvez pra China
ser estrangeira
não mexer a língua.

Ficar imóvel
como estátua de bronze
e passar o chapéu em busca
de esmolas de amor.

Mandarim, beijos
de olhos orientes
sangues pelas fendas
paredes de cimento movediço

Enterro então os pés
e o cimento vira pedra
meu coração?
apenas uma alga
que vai e vem
com o movimento
da natureza
e entope as veias
da vida
que só queria que fosse
líquida.

sexta-feira, julho 22, 2011

LAMENTO

Ondas de tranqüilidade
espumas de sal e suor
que trabalho dá pensar
e ser o acontecimento

Tenho acontecido
produção de cotidianos
sou humana
não sou humanista

Vês, o laborioso ser?
Vês, no que me transformei?
Prender os pedaços do já
pra não torná-los ontem

E a vida escorre
sem dar chance aos fracos
nem os buracos
do entendimento

Espelho d'água
no vidro vazado
outros ecoam em mim
saídas de emergência

Compulsão,
até pela poesia
pulsação
até nos cadarços do sapato.

METRO DAS NOVE

Trem, limite do silêncio
trêmula, a mão executa
portas se abrem
ninguém sai.

Luzes brancas; éter
várias cores, várias caras
uns de pé, outros dançam
tempo por trilhos

Conversas, cabelos
bolsas, unhas feitas
mapas, imagens velozes
bolor nos corredores

Partida e ponto final
retorno para o início
de um lado ao outro
do outro para um lado

Olhares perdidos
ninguém vê nada
momentos vazios
mergulho em si

Perto da partida
corpo atento
ao badalo da voz
se vai, trocar de trem.

segunda-feira, julho 04, 2011

ACIDENTE

Faltou o sangue
das costelas engasgadas
a cabeça do tamanho da casa
o carro na contramão

Detesto jogos
de pessoas estranhas
mentiras medonhas
pra que mesmo?

Vou cansar desta história
medíocre, alinhada, parva
sou melhor do que pensa
tenho mais vontade de ser intensa

É isso mesmo que você quer?
vou embora, vou ser mulher
o sonho me avisou
que afinal não sou o seu amor

Que enfim, quero o que não tenho
que tenho o que já talvez não queira
e tudo vai passar como fonte
e pegar as armadilhas, inteiras

Me afasto de histórias mal contadas
a minha história, eu invento, eu conto
já não quero a arrogância, de mulheres bestas
sou muito melhor, porque sou a primeira

Te dou então a última noite
a terceira dança, derradeira
aproveitar o tamanho das coisas
ser tudo em apenas um segundo

Desligo então os aparelhos
vejo, mastigo, percevejo
será, que você sabe do risco?
Fui, já não vai haver perigo

RECUPERANDO MEU CORPO

Linhas esquinas
dobras, pontas
perder-se nas retas
encontrar fundos, funduras

Roupas perdidas
nas casas amantes
arcos de memória
lancinantes

Rude, roda, rua
afetos misturados
prazer, dor
cansaço

Falta de ar
medo de não amar
de novo
mais um pouco

Se jogar nos tempos
andar no meio fio
nadar até a margem
correr pelas águas do rio

E quem sabe um dia
eu ainda pegue
uma corrente
viva a nossa história

Sonhos, que perdem-se
na vigilia dos acordados
que embrenham-se no peito
destes amantes mal cuidados

Então lentamente passa
cicatriz fica no coração
e como ocupar o corpo?
agora? ontem, já?

Não sei decifrar os códigos
das imagens das beiradas
sinto, sinto, tanto
que é quase nada!

quinta-feira, junho 30, 2011

CONFUSAO

Tremer pelos limites
estar só
recuperar estruturas
porque se longe, amolecem

Um grande campo
estou ao meio
ponteiro da rosa dos ventos
epicentro do vulcão

Dá pra ser os dois
ao mesmo tempo
coragem, medo
conceito, só desejo

Como é mesmo
que constrói o futuro?
frustrações, comprometimento?
Pedreiro de tijolos moles

Onde é?

Quilometro 35
da ponta do banco de madeira

Qual era mesmo a árvore
que você queria?
Bananeira?

Inventa
Tudo é invenção
tudo é inventado
tudo é invento

leve sombra
da noite fria
prédios consomem energia
luzes
moças
crianças
homens pelados
nus

Todos nus
na hora em que deitam
mesmo que de pijamas de flanela

Todos nus quando fecham
as janelas do olhar
e olham
nem que seja
por uma fresta do sentimento

quarta-feira, junho 01, 2011

BICHOS

Falta de ar no peito
queima, sujeiras
das noites, solidões

Virulento
pus
pra fora
por dentro

Presas, leoas
brinquedos duros
cantigas antigas

Sono, logo cedo
ledo engano
mancebo

Meias
furos, rasgos
cortes horizontais

Cabeças penduradas,
corpos sem vida
fugidia

Um dia mais
um lugar encontrado
tempo sem ponteiros

Já se vão os bichos
nas arcas geladas
do abatedouro

terça-feira, maio 31, 2011

LUGARES

Lugares
que desdobram-se,
linhas intermitentes
setas rubras.

Pedaços de vidas
juntadas pelas carnes
deste tempo, mole
conjunções, cartilagens.

Estou sendo
no topo do barco

BERRO!! Sussurro...

Como gorila
bebo vidas, sólidas
cuspo o fogo do vulcão

Corpo-chama
saliva doce
esfregar a língua
queimar entranhas

Vício, visceral

TURBANTE

Fonte de desejo
que corrói todos
os pedaços
do corpo, lânguido

Ao meio da tarde
pelas frestas do casaco
invadem quentes
as vontades do torpor

Há tempos não se tinha visitas
dos desejos incontroláveis
de trepar à tarde
num dia de mau humor

Vou ali e resolvo
buraco no estômago, novo
volto, aliviada, com mais vontade
de tocar meu próprio rosto

E o calafrio invade toda a roupa
branquidão no rosto congestionado
o mau humor de despede
como uma tarde equivocada

terça-feira, maio 24, 2011

QUENTE

Onde foi que ganhei
todas as notas de suingue
pra me liberar da dança
dura dos amantes tristes?

Sinto muita força
dentro do meu corpo

os muros estão desmoronados
gosto de ser livre, ah, como gosto!

Respiro o ar que vem
do meu quadril
resisto pela pele
onde está o calafrio?

Uma serpente vive em mim
dança no meu ventre
cospe fogo pelas línguas
e tudo parece coerente

Tudo que inventei
agora é meu
ninguém me rouba a consciência,
nem me leva a alegria

E lavar as roupas de sangue
cândida, alvejante
os fios do tecido cedem
as camisas ficam velhas

Posso sair nua, na rua?
juro que não terei frio
que meus seios serão,
enfim a ponta dos meus dedos

E desponta no calafrio
um calor latejante
e sou essa agora
inventei, já não se volta

E uma linha bem fina
atravessa meu entendimento
cada vez melhor
lancinante, estou atenta.

sexta-feira, maio 20, 2011

C A R I N H O

Carinho
quando foi que te pedi?
no dia em não me deste
Agora?

Deixa pra lá
não me serve assim
entre as mesas de marfim
amedrontadas na rua

O que fazes quando dão-te
o que não pediste?
Cospe? Guarda?
E quando pedes?

Fragilíssimo meu pedido
e tu, nem dá por isso
só quer o carimbo
no meu peito. negação

O que eu esperei
me rasga a decepção
vontade de beijar na boca
qualquer lábio que me dão

Mas não, melhor assim
colegas, estátuas duras e neutras
não quero fazer parte disso
minhas olheiras pedem cama

Sei das minhas companhias 
dos meus amores, das minhas vidas
música por todos os lados
você está nelas, mas não quer ouvir

Eu apago as canções?
não há papel, só na cabeça
apago a memória, a inspiração 
desperdicei nas suas curvas

Luta agora para ir 
as músicas já são minhas
e você míngua, míngua
até um dia deixar de existir 




 

segunda-feira, maio 09, 2011

NEXO

Olha pelo azul
das praças cobertas
do vermelho de cobre,
lendárias

Vê, que não são poucos
os vidros quebrados
pelos gritos histéricos
dos homens amedrontados

Histéricos? Homens?
Alguma coisa errada
é que mudei os gêneros
cruzeis as calçadas

Enquanto isso
mulheres amontoadas
tentando ser outra coisa, que não
essa merda que invento, desordenada

E a desordem dos apartamentos
intocados pela higiene aburguesada
não vive ninguém ali, parece
que já ninguém quer viver nada

A sujeira que se acumula
nos cantos dos azulejos
entoados por sereias de pé
agora nada, eu vejo

E ao ver alguma coisa
vou sendo várias
homens, mulheres
e até estas sereias cansadas

Então vamos embora
que nada espera nem te cobra
sou apenas uma coisa
que agora é o agora.

Enfim, vãos são seus desejos
tortos todos os meus azulejos
sujeiras acumulam-se nas orelhas
não quero ser limpa.

Apenas as ameijoas das praias alheias
E tu, quem serás ó silhueta sem sexo?
Sereia, homem, mulher, ou nexo?
Nada, pois já não há classificações

às loucuras do ser humano